quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A arte de morar só

Só lembro que moro sozinha quando preciso ir ao mercado, é como se houvesse algum tipo de programação. Acordar às 6 horas da manhã todos os dias, levar o lixo, arrumar o quarto, cozinhar, lavar, passar, estudar, ir ao mercado... é tudo automático. É no mercado que lembro que moro sozinha, sinto-me independente e ao mesmo tempo confusa, porque  preciso de algo de fácil preparo, que não suje a cozinha e que se eu demorar pra consumir não estrague. Nada que se encaixa nas descrições citadas é saudável, aí surge o conflito.  Ser dona do própio nariz tem um alto preço.
Almoço e janto fora durante a semana toda, mas sempre chego com fome, aí vou procurar aquela fruta, o leite, mas as coisas estão estragando. Porque em certos dias que cansaço é maior que a fome prefiro deitar logo e dormir.
Tudo que é saudável é perecível.
Quando o carrinho está cheio é hora de pensar que não vai ter ninguém pra levar tudo até minha casa, também não adianta mandar o entregador, não definem hora, não vai ter ninguém lá pra receber. Então levo poucas coisas, guardo tudo e saio correndo estudar.
No sábado não suporto obrigações. Se não deu pra ir ao mercado durante a semana, peço algo pelo telefone. Nem telefone eu gosto de atender no sábado, com medo de surgir algo que não possa dizer não. Recuso-me a fazer coisas além de dormir até tarde, ler, ouvir música, cantar alto, cuidar de mim.
No domingo visito pessoas, saio com amigas... Mas, isso é também uma “obrigação”. A deliciosa “obrigação” de relacionar-se.

Até Deus tirou um dia pra descansar!