quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A questão do outro

Quero falar da descoberta que o eu faz do outro. O assunto é imenso. Mal acabamos de formulá-lo em linhas gerais já o vemos subdividir-se em categorias e dimensões múltiplas, infinitas. Podem-se descobrir os outros em si mesmo, e perceber que não se é uma substância homogênea, e radicalmente diferente de tudo que não é si mesmo; eu é um outro. Mas cada um dos outros é eu também, sujeito como eu. Somente meu ponto de vista, segundo o qual os outros estão la e eu estou só aqui, pode realmente separá-los ou distinguilos de mim. Posso conceber os outros como uma abstração, como uma instância da configuração psíquica de todo indivíduo, como o Outro, outro ou outrem em relação a mim. Ou então como um grupo social concreto ao qual nós não pertencemos. Este grupo porém pode estar contido numa sociedade: as mulhres para os homens, os ricos para os pobres, os "loucos" para os normais.

Tzvetan Todorov